Origem da Raça

Devido a seleção em certas regiões do Oriente se obteve uma variedade
cão de tamanho gigante detentor de uma potente cabeça e um focinho mais curto com relação a cabeça que nos cães mais antigos de lobo, os spitz.

Os primeiros exemplares de Molossos eram cães de tamanho gigantesco,ossos grandes muito fortes. Dotados de um força incomparável e um valor ilimitado.

Surgiram em diversos países do Oriente. Em meados do Século VI a.C. foram introduzidos no continente Europeu, inclusive as Ilhas Britânicas pelos hábeis e instruídos navegantes mercadores Fenícios que havíam estabelecido uma florescente rede de rotas comerciais.

Estes Mastins que eram muito procurados por sua guerreira ferocidade e por seu insuperável valor, foram mesclados com os cães locais e os Britânicos desenvolveram uma espécie de molossóide chamado de "PUGNACES BRITANNI" de extrema ferocidade que foram utilizados pelos habitantes da Ilha para lutar contra os invasores Romanos .
Apesar de estarmos muito longe do atual Bulldog Inglês conhecendo os feitos extraordinários que estes molossos lutadores concretizaram poderemos entender com foi sendo forjado a têmpera e a história do cão que acabou por se tornar o símbolo e orgulho de uma nação.

Bondogge ou Bolddogge, mais tarde Banddogge, várias palavras foram usadas para nomear esta raça antes de chegar ao nome Bulldog.

Mas muito antes de Shakespeare, no reinado de Henrique II, meados do ano 1133, havia o costume de organizar lutas de cães contra touros, e na época de João Sem Terra a primeira notícia certa é registrada no Survey of Stamford que narra como sob o reinado de João Sem Terra, no ano de 1209, o Senhor da cidade, Lord Stamford passeando pelas muralhas de seu castelo viu dois touros lutando pela posse de uma fêmea. Os cães de um açougueiro do local precipitam-se sobre um dos touros, seguiram-no pelas ruas do povoado e o abateram após uma luta feroz.

Lord Stamford gostou tanto do espetáculo que fez a doação do campo aonde havia se iniciado a luta para o Grêmio (Sindicato) dos Açougueiros, desde que, como condição, a cada ano no dia antes das seis semanas que precedem o Natal, o Sindicato fizesse realizar alí um combate similar ao que observara.

Denominado por BULL-BAITING, esses combates entre os cães dos açougueiros e os touros furiosos se tornaram muito famosos e populares na Inglaterra.

No auge da popularidade este esporte, no qual se apostavam vultosas somas de dinheiro, teve árduos defensores, tanto da nobreza como entre os deserdados.

Espalharam-se arenas destinadas para este espetáculo, cujos os vestígios existem até hoje na Inglaterra.

Anos de seleção para ferocidade e coragem tornaram o bulldog um animal obsessivo por luta e sangue. O touro era amarrado pelos chifres por uma corda de 23 metros de extensão a uma estaca no centro de uma arena em forma de círculo e defendia-se com os chifres tentando cornear o abdome do cão, que desenvolveu a tática de rastejar para proteger-se dessas investidas.

Muitos Bulldogs atingidos eram lançados para o alto e, os Bullots (os Donos dos cães) amorteciam a queda com seus aventais de couros (típicos dos açougueiros) ou utilizavam estacas de bambu para fazer o cão rolar em segurança até o chão, pois mesmo feridos e em alguns casos com as vísceras expostas, estes cães retornavam para a luta, afinal havia apostas em jogo.

Os Bulldogs foram os cães mais adequados para a luta pois, além de tenacidade e uma extrema ferocidade, eram possuidores de uma incrível resistência à dor, além disso o ataque era dirigido para o focinho do Touro, ao qual mantinha preso até que a besta, ensangüentada e exaurida pelas vãs tentativas de livrar-se do cão, caía subjugada.

Observa-se, em gravuras antigas, que algumas outras variedades de cães, mais focinhudos como os Spitz, foram testados neste esporte, estes demonstraram uma performance muito inferior ao Bulldog quanto ao desempenho, porque enquanto o Bulldog atacava o focinho, outros cães atacavam o touro pelas orelhas, quando o touro girava a cabeça fazendo movimentos rotativos, arremetia estes animais de encontro aos chifres causando danos irreversíveis (eram leves e não tinham aparência de braquicéfalos molossóide).

As dobras das rugas, ao redor das narinas, facilitavam o escorrimento do sangue do touro, de modo a não impedir a respiração por obstrução. O cão podia manter-se preso ao touro por muito tempo e permanecer respirando sem dificuldades.

Os mais resistentes à dor, os mais destemidos e ferozes, eram separados seletivamente para a reprodução. Gerações e gerações foram acentuando o perfil de um cão que ganhou, nos quatro cantos do mundo, a fama de ferocidade inigualável. Esta seleção permitiu obter, através dos Séculos, um cão com características físicas e psíquicas excepcionais. Se obteve um cão de força extraordinária em relação ao seu tamanho. No Bull Baiting que se viu durante os séculos, um cão por vez enfrentava ao Touro e a aposta girava em torno do tempo que o cão levaria para abater o adversário.

Mas, isto foi sendo modificado com o passar do tempo. Se em séculos mais remotos o cão deveria enfrentar e abater o adversário no menor tempo possível, depois, o número de Bulldogs na luta foi sendo aumentado e as apostas, que sempre acompanhavam os Bull Baiting, se faziam agora sobre qual seria o primeiro Bulldog a que lograria o êxito de morder a cabeça do touro e manter-se firmemente preso à ela.

Com a evolução do pensamento e refinamento da civilização, tornaram-se os Ingleses conscientes da carnificina injustificável que este esporte representava, o que não era mais admissível nestes novos tempos, passando a configurar como uma exposição de barbárie. Após muita polêmica e debates, a oposição se fez tão forte que, em 1835 se chegou a promulgação de uma lei na qual todos os combates entre animais foram proibidos.

A raça ficou nas mãos de bandidos, dos indivíduos marginais e mal intencionados, que promoviam e mantinham as rinhas na clandestinidade.

Paralelamente os autênticos amantes e entusiastas começaram a selecionar a raça para resgatá-la deste triste quadro.

A raça não era remunerativamente interessante, o amor por ela e por este patrimônio genético que estava para se perder, sob o risco de extinção, motivou esta reação. As subsequentes décadas foram utilizadas, agora para promover o caminho inverso na seleção do temperamento, um ser extremamente perigoso preparado para lutas deveria despir as vestes da ferocidade e ficar livre da má fama da malignidade.

Os verdadeiros amantes da raça iniciaram um paciente trabalho de triagem para a seleção dos cães, que apresentassem um temperamento equilibrado, dócil e seguro. E através da seleção destes espécimens, realizou-se o aprimoramento do temperamento, que utilizava a herança genética como meio de transmitir e fixar aos descendentes o bom temperamento.

Tornando-se a raça segura e adequada ao convívio civilizado.
Neste empenho, foram impedidos para a reprodução, todos os cães agressivos, neuróticos ou inconstantes. Estes foram sistematicamente rejeitados em favor dos exemplares seguramente de boa índole.

O temperamento do Bulldog foi sendo gradativamente re-moldado, até o surgimento do atual indivíduo, propício para conviver na sociedade sem oferecer a mínima possibilidade de riscos. Foram muitos anos de dedicação calcados sobre um trabalho admirável e idealista.

Padrão

Aparência Geral: cão de pelagem curta e lisa, robusto e baixo, atarracado, largo, possante e compacto.Apesar da cabeça massuda e relativamente grande para o seu tamanho, característica alguma pode sobrepujar as demais a ponto de prejudicar a simetria geral, tornar deformado, o aspecto do cão, ou ainda, interferir na sua movimentação. O focinho é curto, largo, romboidal e ascendente. O tronco é curto, bem estruturado, membros robustos, musculatura bem desenvolvida e rígida. Posteriores longos e fortes, um pouco mais leves que os poderosos anteriores. A fêmea é menor e menos corpulenta que o macho.

Características: sua figura sugere determinação, força e atividade.

Temperamento: esperto, valente, fiel, confiável, corajoso, de aspecto feroz mas de índole afetuosa.

Cabeça e Crânio: crânio de perímetro extenso, cuja medida (tomada a frente das orelhas) deve ser, aproximadamente, igual a altura do cão na cernelha.

Visto de frente, parece ser muito alto do canto posterior da mandíbula ao topo do crânio, é ainda, largo e simétrico. As bochechas são bem arredondadas e a distância entre elas, é maior que a distância entre os cantos distais dos olhos. Visto de perfil, a cabeça parece muito alta e curta do occipital a ponta do nariz.

A testa é chata, e a pele da cabeça, solta, enrugada e de desenvolvimento moderado. As arcadas superciliares são proeminentes, largas, altas e simétricas; entre os olhos, um degrau amplo e profundo. Do stop segue um sulco sagital largo e profundo até o meio do crânio, que poder· prosseguir até o topo.

Uma ruga curta faceando, desde a frente dos ossos malares até o nariz. O focinho é curto, largo,arrebitado e muito profundo desde o canto dos olhos até a comissura labial. Trufa e narinas bem desenvolvidas, largas e pretas , jamais cor fígado, vermelho ou marrom. A ponta da trufa é direcionada para os olhos.

A distância do canto proximal dos olhos (ou do centro do stop, entre os olhos) a extremidade da trufa, é maior que a distância da extremidade da trufa a borda do lábio inferior.

Entre as narinas, grandes e largas, uma linha reta vertical, bem definida. Os lábios superiores são espessos, largos, pendentes e bem profundos cobrindo completamente apenas as faces laterais da mandíbula , sem cobrir a face anterior. Na frente, os lábios superior e inferior tocam-se, cobrindo inteiramente os dentes.

A mandíbula, larga, massuda e simétrica, projeta-se consideravelmente a frente da maxila, curvando-se para cima. Visto de frente, a silhueta das faces é simétrico em relação ao plano médio longitudinal.

Olhos: redondos, tamanho médio, inseridos baixo, no plano da pele e bem afastados das orelhas. Visto de frente, os olhos e o stop ficam na mesma reta perpendicular ao sulco frontal. Apesar de bem afastados, os cantos distais permanecem dentro da silhueta das bochechas.

De cor bem escura , quase preta , quando direcionados para frente a esclerótica (branco do olho) permanece oculta.

Orelhas: de inserção alta, ou seja, visto de frente, o bordo anterior de cada orelha, junta-se com o contorno do crânio de tal forma que as orelhas fiquem bem afastadas e tão distante dos olhos quanto possível. Pequenas e finas. O porte correto é orelhas em rosa, isto é, o bordo anterior dobra-se para trás, e descansa no pescoço, mostrando parte da face interna do pavilhão auditivo.

Boca: mandíbula larga e nivelada com seis incisivos alinhados entre os caninos, que ficam bem afastados. Dentes grandes e fortes: ficam ocultos quando a boca está fechada. De frente, a mandÌbula é nivelada.

Pescoço: de comprimento médio (mais para curto que para longo), muito grosso, profundo e forte. Linha superior bem arqueada com pele grossa e solta em abundância e enrugada na região da garganta, formando uma barbela de cada lado desde a mandíbula até o antepeito.

Anteriores: ombros largos, inclinados, profundos, poderosos e musculosos, parecendo terem sido acrescentados ao tronco. Antepeito amplo, seção redonda e muito profundo, desde a cernelha a sua parte mais baixa onde se une ao esterno, bem descido entre os membros. Após a cinta toráxica, é redondo de di'ametro grande, com as costelas bem arqueadas. Membros bem afastados, bem desenvolvidos, robustos, fortes, grossos e tão musculosos que mostra o contorno arqueado, apesar dos ossos serem grandes e retos, sem curvas ou arqueamento; curtos, em comparação aos posteriores, sem que o dorso pareça longo ou prejudique a movimentação. Cotovelos baixos e bem afastados das costelas. Metacarpos curtos, retos e fortes.

Tronco: visto de frente, peito largo, seção redonda; de perfil, proeminente e profundo; linha superior curta; largo na cernelha, relativamente mais estreito no lombo. Dorso levemente descendente após a cernelha (parte mais baixa), depois ascendente, atingindo o ponto mais alto na garupa, para descer até a raiz da cauda, em curva brusca fazendo um arco característico, típico da raça. Costelas bem arqueadas e anguladas para trás. Linha inferior esgalgada, em musculatura rígida.

Posteriores: membros longos e musculosos, proporcionalmente, maiores que os anteriores, levantando o lombo. Jarretes curtos e suavemente angulados. Membros musculosos, de estrutura alongada do lombo aos jarretes curtos, retos e fortes. Joelhos redondos com discretos desvios para fora. (Como consequência... ) os jarretes aproximam-se e as patas, também, sofrem um discreto desvio para fora.

Patas: as anteriores retas e, muito discretamente, voltadas para fora; de tamanho médio e moderadamente arredondadas. Os posteriores redondas e compactas. Déditos, compactados e grossos, bem separados, com hipertrofia articular.

Cauda: inserção baixo, nascendo saliente e reta, para, depois, fazer uma curva para baixo. De seção redonda, lisa, sem franja ou pêlos ásperos; comprimento médio, mais para curta que para longa; grossa na raiz, afinando, rapidamente, até uma ponta fina. Portada para baixo, sem evidente curva para cima, na ponta. Jamais portada sobre o dorso.

Movimentação: andadura, particularmente, pesada e travada, a passadas curtas e rápidas na ponta das patas, sem elevar as posteriores, como se as arrastasse no chão, e com uma das escápulas sempre avantajada.

Temperamento

Deve ser vivaz, destemido, fiel, digno de confiança, corajoso, de aparência feroz mas dotado de natureza afetuosa.

Os criadores no passado fizeram dele um animal cruel e sem piedade, pronto para cravar os dentes em qualquer coisa que se movesse ante aos seus olhos. Mas os criadores posteriores, no curso de algumas décadas, o converteu num cão como todos os demais, inclusive mais doce e equilibrado que a maior parte dos exemplares de guarda e de defesa. Atualmente é um cão sumamente fiel, é fleumático, gosta de brincar com crianças, dotado de um enorme auto controle e um bom sentido de humor, que mostra a todos os seres humanos um afeto profundo e uma grande indulgencia. Isto é o que asseguram os cinófilos que tem estudado a raça. Tem aparência carrancuda, um aspecto intimidatório e incorruptível, mas quando o conhecemos mais profundamente verificamos que existe um coração dourado escondido sob aquela massa de músculos.

É um dos cães mais tranquilos e preguiçosos.

Para fazer com que um Bulldog perca a paciência é preciso chegar a extremos incríveis.

Este extremo pode ocasionar um ato em defesa dos seus, fulminantemente poderá se lançar sobre o agressor. Também, em razão do passado, não convém que seja adestrado para o ataque, o instinto de defesa ele já trás consigo. De qualquer forma não fará falta que deixe de receber educação de defesa, porque o efeito promovido pelo seu aspecto feroz é suficiente para fazer desistir a qualquer mal intencionado que se aventure, sem permissão no seu território.

Com respeito às relações com os outros cães, as opiniões dos conhecedores não coincidem : Alguns juram que se trata de um cão amigável, sempre disposto a simpatizar com todos os colegas que encontra, e há quem o tacha de individualista e altivo com os demais. As cadelas são excelentes mães e adotam com facilidades e amor maternal os filhotes de outras fêmeas. Os filhotes já demonstram asseio desde pequenos. É um cão que desenvolve hábitos de higiene, preferindo colocar os seus dejetos sempre no mesmo local, o que os torna muito próprios para apartamentos.

Latem pouco mas, quando algo foge à rotina (principalmente à noite, se não estiverem em sono profundo) dão o alarme evidenciando seu passado como cão de guarda.

Efetivamente não é o tipo de cão subserviente, admira os humanos, tem prazer pela companhia do dono e se relaciona com ternura, mas mantém uma independência. Nas brincadeiras são fanfarrões e truculentos e, diria sem medo de errar: "cafajestes".

Se tentar submetê-lo às brincadeiras e jogos que ele não aprecia, ele arranjará um jeito de tornar a brincadeira cansativa para quem a propôs, revertendo o quadro a seu favor. É um excelente companheiro, ideal para todos aqueles que amem a originalidade e a beleza funcional, único critério para julgar em cinofilia a beleza de um cão. O Bulldog detém um excelente apetite e aprecia o ócio, quando quer dormir ignorará aos chamados de seu dono que, ainda terá que suportar os seus fortes roncos quando dorme, o que faz por muitas horas ao dia. Não se pode negar é que hoje, "a máxima aspiração de um Bulldog", seja a de estar acomodado sobre uma almofada e contemplar a vida que transcorre ante os seus olhos ou adormecer num sono profundo e reparador.

Com amor tudo se consegue de um Bulldog mas, é imprescindível que se estabeleça, logo desde os primeiros dias, uma relação coerente, sem altos e baixos, e a margem de qualquer debilidade ou comportamento brusco. Se não for assim, o inteligentíssimo Bulldog muito cedo qualificaria a seu dono como um moleirão, ao que se pode amar, mas não obedecer. Sem dúvidas o que mais chama a tenção nesta raça é o seu desmesurado amor pelas crianças. Junto a elas, até a sua expressão facial muda para dar lugar a um gesto de tranquilizadora bondade. Na relação entre os seres humanos (sejam adultos ou crianças) e os Bulldogs, os Bulldogs jamais os coloca em situação de perigo e chega a ser considerada como uma raça esplêndida neste aspecto; para os que tem um Bulldog ou para os que já tiveram este cão em suas vidas, existe uma opinião muito sincera e homogênea de todos a este respeito, de que :

"UMA VIDA NUNCA SERÁ PLENA SE NÃO SE TEVE UM BULLDOG"

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